Brasileiro lê, sim. E muito! Você só não sabe onde...

Não dá mais para repetir o discurso ultrapassado de que brasileiro não lê. Principalmente com o acesso à informação tão rápido e fácil como é hoje. A questão passou a ser ONDE os brasileiros buscam histórias e livros. Vou te dizer... até levei um susto!


Busca por livros digitais já alcançou a de livros impressos. E a tendência é aumentar.

Desde pequena ouço as pessoas em volta de mim falarem que brasileiro não lê. Minha família, professores da escola, os próprios colegas. Na faculdade de Letras, o que eu ouvia virou verdade: a maior parte dos meus colegas se formaram junto comigo sem ter lido uma única obra proposta pelos professores. Liam os resumos da internet e conseguiam nota para passar.


Na época, fiquei revoltada. Essa indignação (para não dizer estupidez) típica da juventude. “Como pode não ler!”; “Por que fizeram Letras, então?”; “Que absurdo...”. Pois é. Não é mentira, mas estava longe de ser verdade. Por um lado, os livros eram clássicos, a faculdade era de Letras e fazia parte da grade ler, simplesmente era assim e devia ser assim. Por outro, muitos dos livros eram chatos, cansativos, não conectavam com a nossa vida e, ainda que os professores fossem bárbaros (ao menos os que escolhi para fazer as disciplinas), nem todo mundo tinha saco para aquele tipo de narrativa.


Mas isso eu só fui entender e aceitar mais tarde.


O caso é que, desde 2019 decidi retomar a careira de escritora, que estava em marcha lenta há quase 15 anos. Foi uma decisão firme, com planejamento, cronogramas e, principalmente, novas ferramentas de auto publicação digital e on-line. As plataformas estão aí, há oportunidade para todo mundo e o que te destaca, no fim, é o tema e a história que você conta. Não consigo ver melhor cenário, ao menos para mim.


Fiquei super empolgada. Enquanto termino o primeiro lançamento (que pretendo publicar pela Amazon ainda este ano), peguei as minhas antigas obras publicadas pela Alta Books e fui rever, rediagramar, dar o carinho e cuidado que o livro merecia e que, na época, não aconteceu. Agradeço demais àquela experiência horrível porque hoje tenho certeza do que quero e não quero me sujeitar.


Decidi republicar Xeque-mate primeiro, pelo Wattpad, plataforma que movimente milhares de novas obras todos os meses. Mais do que só publicar, eu me dedique a entender como funciona, quais são os planos, como fazer publicação digital. Nem preciso dizer que adorei e a obra está lá, completa para quem quiser ler.



Foi aí que, enquanto descobria o Wattpad como autora, tive acesso a alguns indicadores e recomendações de obras, principalmente as premiadas pela própria plataforma em uma espécie de evento anual chamado Wattys. E fiquei estarrecida! De verdade! Fui refinando e filtrando a busca até chegar só em obras brasileiras, escritas em português, pagas ou não (porque você também pode colocar seu livro para vender no Wattapd, eu que quis colocar de graça).


Trouxe uma amostra do Wattys2020 em Português para vocês darem uma olhada, de leve.


Wattys2020 em Português | Reparem nas visualizações!

Reparem na quantidade absurda de visualização. Esses são todos livros em português, escritos por brasileiros e, provavelmente, lidos por MUITOS brasileiros também. Foi aí que eu tive certeza de que a visão limitada de que brasileiro não lê ou não gosta de ler é algo incutido e que representa uma realidade bem distante da nossa.


Hoje, não lê quem não quer porque todo mundo tem acesso a uma história, um conto, algo que te ajude a ampliar repertório, conhecimento de mundo, ou conhecer opiniões diferentes para aceitar e lidar com as pessoas, para colaborar.


O que não dá é para continuarmos insistindo que brasileiro não lê porque a venda de livros caiu ainda mais, as editoras estão todas em falência porque um livro na livraria custa de 28 a 58 Reais. Isso, quando é “barato”.


O que está errado é a limitação do sistema e olhar estreito de quem mapeia a situação. O dia que nossas livrarias venderem um livro em versões de 5, 10 e 50 Reais e cada um comprar aquilo que pode e quer, talvez os números aumentem... ou não. Porque a verdade é que tem MUITA coisa excelente de graça, ao alcance de quem quiser. Incrível é a Amazon que fez o movimento certo, na hora certa. Triste para as editoras nacionais que não conseguiram nem dar meio passo e realmente entender o mercado digital.


E bora procurar boas histórias nas plataformas de publicação porque oportunidade é que não falta. Não precisa ser um clássico, precisa dar vontade de ler, só isso!

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