Homofobia no trabalho: como se colocar em movimento sem exposição exagerada

Atualizado: 4 de mai. de 2021

Pouco a pouco, nosso país vem progredindo no combate oficial à homofobia em todas as frentes: trabalho, sociedade, família. Hoje, olhando o panorama mundial, podemos dizer que estamos em evolução contínua, principalmente se considerarmos que 11 países ainda consideram relacionamentos homoafetivos como crime, inclusive sujeitos à pena de morte.



Fonte Jornal El País (link ao final da matéria)

Marcos históricos que demonstram avanço legal

  • 17 de maio de 1990 | a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da lista de Classificação Internacional de Doenças.

  • 30 de dezembro de 2005 | realizada a primeira adoção por um casal homossexual no país, na cidade de Catanduva, no interior de São Paulo.

  • 5 de maio de 2011 | O Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu, por unanimidade de votos, a união estável entre casais do mesmo sexo como entidade familiar.

  • 15 de agosto de 2018 | O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou e reconheceu, por unanimidade de votos, que pessoas trans podem alterar o nome e o sexo no registro civil, sem que se submetam a cirurgia (o direito à sua identidade de gênero).

  • 13 de junho de 2019 | O Supremo Tribunal Federal (STF) criminalizou a homofobia, enquadrando os casos de discriminação sexual ou de identidade de gênero na Lei de Racismo.

  • 8 de maio de 2020 | O Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou a restrição de doação de sangue por homossexuais. Até então, o Ministério da Saúde e a Anvisa negavam o direito de doar sangue aos homens que tivessem feito sexo com outros homens nos últimos 12 meses.


Mesmo com esses e outros avanços conquistados em mais de 40 anos de luta pela igualdade, inclusão e respeito, as conquistas são muito frágeis, porque esses direitos podem ser revogados a qualquer momento.

Pesquisas mostram que o Brasil caiu de ranking mundial em relação à sensação de segurança desde a última eleição presidencial e que, em 2019, registrou 1 morte por homofobia a cada 23 horas. São números expressivos, preocupantes e indicam que ainda estamos muito longe de realmente aceitar a diversidade como um todo.


“Nossos números de violência são expressivos. O direito à vida, que é um princípio básico do ser humano, é retirado dessa parcela da população”, diz Liliane Rocha, fundadora da consultoria Gestão Kairós. “Também há um imenso desconhecimento sobre diversidade sexual. As pessoas não compreendem as diferenças entre o sexo biológico do nascimento, a expressão, a orientação sexual e a identidade de gênero.”


Parece impossível que, no mundo atual, a sociedade possa regredir tanto assim. Mas é possível. E se é possível, devemos nos manter sempre vigilantes.



A diversidade nas empresas: quanto mais diferente, melhor. Será?

Você deve estar preocupado com o ambiente corporativo em um cenário como o descrito acima.


O que podemos observar no mercado de trabalho é que, cada vez mais, as empresas estão preocupadas com o tema diversidade e estão tratando a inclusão como pauta prioritária nas mesas de diretoria. Não é somente uma postura inclusiva, preocupada com a igualdade, apesar de que várias empresas realmente “vestiram essa camisa” e possuem projetos sociais importantes como Natura, Sodexo, PwC, Kaiser Permanente, Ernst & Young, Mastercard, Novartis, entre outras. A realidade é que, em razão dos avanços legais e da pressão social, a maior parte das empresas se diz inclusiva, porém, na realidade, não consegue mudar sua política interna.


Por que isso acontece? Como o próprio nome já diz, uma empresa é uma “pessoa jurídica”, ou seja, é uma entidade viva, orgânica, que tem valores, um DNA, aspirações para o futuro e um papel no mundo (tanto econômico, quanto social). Essa “pessoa jurídica” é formada pela visão dos donos e/ou sócios somada aos valores, comportamentos e às atitudes de TODOS os colaboradores que fazem parte dela. Por isso, é tão difícil mudar uma empresa. É um trabalho lento, que requer dedicação, porque implica mudar o paradigma das pessoas (ou, pelo menos, da maioria das pessoas).


Contudo, preocupar-se com a diversidade e se comprometer a fazer contratações de pessoas diferentes, de fato, tem um resultado muito positivo para o negócio. A diversidade gera mais retornos financeiros, acredite! Uma pesquisa da consultoria Mckinsey, por exemplo, mostra que empresas que se preocupam com a diversidade de gênero são 21% mais lucrativas.


Além disso, a diversidade tem impacto enorme na capacidade de inovação e criatividade das empresas porque, com diferentes pontos de vista e realidades, as soluções se tornam muito mais eficientes e rentáveis. Uma pesquisa feita por professores da Nanyang Business School, de Singapura, e da Universidade de Finanças e Economia, de Xangai, mostrou que empresas sediadas em estados com leis antidiscriminação aos LGBTQIA+ tiveram um aumento de 8% no registro de patentes. Incrível, não?


Como isso reflete no trabalho?

De acordo com um estudo norte-americano realizado pela Human Rights Campaign, cerca de 62% das pessoas recém-graduadas na universidade, que se identificavam como LGBTQIA+, “voltam para o armário” quando começam no primeiro emprego. Isso é um indicador mundial de que a liberdade que se conquista antes de ingressar no mercado, tende a ser reprimida no contexto corporativo.


Outra pesquisa, divulgada pelo LinkedIn, mostra que 81% dos profissionais LGBTQIA+ acreditam que ainda falta muito para as empresas acolherem melhor a comunidade.

54% dos participantes LGBTQIA+ dizem que a empresa onde trabalham possui práticas inclusivas, mas 35% disseram que já sofreram discriminação no ambiente de trabalho, sendo que 12% deles disseram que o preconceito partiu (direta ou veladamente) de líderes da empresa, incluindo gestores diretos.



Piadas e comentários homofóbicos são as formas mais frequentes de preconceito no ambiente de trabalho. A pesquisa indica que 83% dos profissionais LGBTQIA+ acreditam que as empresas deveriam criar medidas de responsabilização de colaboradores que cometerem discriminação por causa da orientação sexual e identidade de gênero de seus colegas.


A sensação é de que o cenário precisa melhorar e muito no Brasil. Já entendemos que é assertivo para a empresa ter colaboradores diferentes, abraçar a diversidade, ter uma postura inclusiva. Como bônus, isso aumenta o faturamento das organizações. Ainda assim, o preconceito arraigado nas pessoas se torna uma barreira que precisa, aos poucos, ser quebrada.


Então, não dá para fazer nada de diferente? Claro que sim! Precisamos conhecer os direitos e deveres legais das pessoas e nos movimentar para mudar o que é possível, começando por nós mesmos. Em breve, viveremos em uma sociedade mais consciente e acolhedora. Afinal, cada um de nós também pode ser agente de mudanças.


O que você pode fazer para iniciar mudanças sem se expor

Você já entendeu que não são somente as empresas que têm responsabilidade de disseminar a aceitação, preparar os líderes para serem inclusivos e apoiar a diversidade, certo? Os profissionais também podem e devem fazer valer sua posição e têm o seu papel. Então, cada um de nós pode ajudar esse grande tsunami de mudança (ainda que ele comece como uma marola).


Separamos algumas dicas de consultores e especialistas que podem ajudar você a se sentir mais representado ou ainda fazer a diferença no ambiente de trabalho, seja para causas LGBTQIA+, seja para discriminações étnicas, religiosas e sexuais... Enfim, todas as formas de exclusão.



  1. O primeiro passo é se incomodar e não aceitar passivamente que este seja um país ainda tão violento contra pessoas LGBTQIA+, que morrem somente por serem que são.

  2. Saia da apatia e se mobilize. Ninguém precisa ser LGBTQIA+ para lutar contra a discriminação de gênero.

  3. Tenha consciência dos seus próprios preconceitos. Somos humanos e todos nós temos ideias preconcebidas sobre as coisas. Ter consciência de quais são essas ideias preconcebidas é o primeiro passo para evitar comportamentos discriminatórios.

  4. Se ouvir piadas ou comentários discriminatórios no ambiente de trabalho, não ria. Você não precisa se levantar e agredir quem tem esse hábito, mas não rir significa que você está, de forma silenciosa e respeitosa, declarando sua oposição ao comportamento discriminatório dos outros.

  5. Se possível, converse com a pessoa que fez a piada discriminatória. Explique que tipo de sentimento isso pode causar. A grande mudança, na verdade, começa com cada um de nós.

  6. Se você é líder, saiba que tem uma responsabilidade a mais em disseminar comportamentos inclusivos. O que começa com o próprio exemplo: seja uma pessoa inclusiva e tenha atitudes que apoiam a diversidade.

  7. Tem alguma ideia interessante ou ação que pode ajudar a mudança de comportamento das pessoas dentro da empresa? Procure o seu RH e converse com alguém. Pode ser um passo importante para a empresa iniciar ações sociais e de mudança.

A única forma de mudar o mundo é dar um passo de cada vez. E, quem decide caminhar, somos nós. Bora fazer diferente?


FONTES E REFERÊNCIAS

https://vocesa.abril.com.br/voce-rh/como-lutar-contra-a-homofobia-no-mercado-de-trabalho/

https://www.acidadeon.com/campinas/cotidiano/colunistas/NOT,0,0,1522885,homofobia+no+ambiente+de+trabalho.aspx

https://www.geledes.org.br/35-anos-e-expectativa-de-vida-de-transexuais-no-brasil/

https://brasil.elpais.com/brasil/2019/03/19/internacional/1553026147_774690.html

https://stj.jusbrasil.com.br/noticias/154275355/o-direito-dos-individuos-transexuais-de-alterar-o-seu-registro-civil

https://exame.com/negocios/as-15-melhores-empresas-em-diversidade-e-inclusao/

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