Netflix Brasil tem um dos PIORES acervos de títulos LGBTQIA+ do mundo

No mês do orgulho LGBTQIA+ foi ridículo ter certeza (porque eu eio que já sabia) que a Netflix Brasil não disponibiliza títulos e coneúdo inclusivo por escolha, não por falta de opção ou questões contraturais. Olha só...


Antes que falem alguma coisa, eu gosto da Netflix. Gostava mais, confesso. Meu carinho pela franquia despencou depois de escrever essa postagem e você vai entender o motivo.

Como vocês já sabem, estou colaborando com o canal Minha Vida Geek, falando sobre séries asiáticas (os tão famosos doramas ou k-dramas). Esta semana, eu e minha amiga Claudia Sardinha, decidimos fazer um vídeo especial em homenagem ao mês do orgulho LGBTQIA+ para o canal.


Fui montar o roteiro toda feliz. Queria escolher 3 doramas BLs (do inglês Boy's Love ou Histórias de Amor entre Meninos) para recomendar e fiquei preocupada de não conseguir escolher, porque já vi MUITOS BLs, de todos os tipos, de vários períodos diferentes. Decidi, então, falar sobre BLs que a maioria das pessoas têm acesso, não aqueles que não estão disponíveis ou que estão apenas com legendas em inglês.


Na minha santa ingenuidade, pensei: “Caramba, vou escolher os que estiverem na Netflix porque a maior parte das pessoas tem assinatura”. E foi quando eu me dei conta que a nossa Netflix Brasil realmente não tem QUASE NADA de conteúdo LGBTQIA+, principalmente se falarmos de séries e filmes com temática positiva, finais felizes, aceitação. Quando tem, geralmente são histórias trágicas, ou infelizes, ou que reforçam o abismo que queremos extinguir. Isso, para não dizer que algumas das produções disponibilizadas são bem antigas. Nada contra ser antigo! Se fossem antigas, mas boas como Queer as Folk (incrível, não é asiática, tem a versão inglesa e a versão americana), estava tudo bem. Mas não... são títulos antigos e ruins.


Acervo tímido, antigo e sem graça na Netflix Brasil

E não é só isso! O que mais me revoltou foi, quando estava procurando as séries asiáticas famosas e recentes, encontrei grande parte delas disponível na Netflix dos países da América Latina (veja bem que não estou falando de Ásia ou da Europa, estou falando de Peru, Colômbia, Chile, Venezuela, México...). Nossos vizinhos todos têm séries como Word of Honor, Tharn&Type, Game Boys, Until We Meet Again, Love by Chance, 2gether e por aí vai.


Eu que pensava ser uma questão contratual do tipo “é difícil trazer títulos asiáticos desse tema para cá”, fui golpeada com a realidade: só a Netflix Brasil não traz conteúdo positivo (asiático ou não) LBGTQIA+ para o Brasil.


Por quê? Pelo que eu saiba, não tem censura desse tipo de conteúdo no Brasil. Foi a maior decepção ter a certeza de que é escolha, pura e simples, de alguém que foi contratado para selecionar conteúdo para a plataforma, ou alguma desculpa ridícula de bloqueio, porque é fácil colocar a "culpa" na tecnologia.


Aí, é a minha vez de começar a refletir: por que gastar dinheiro e investir em conteúdo inclusivo, positivo, igualitário se eu posso gastar menos com realities shows idiotas de confinamento ou com uma avalanche de filmes anteriores à década de 1990/1980?

De novo: nada contra os saudosistas. Também gosto. Mas está na cara que é opção não ter conteúdo inclusivo. Cadê a tão proclamada diversidade? Pelo visto, fica só no discurso das redes sociais.


Isso posto, aproveito para dar um recadinho para a Netflix Brasil: estamos em 2021! O mundo está buscando incluir as pessoas e vocês estão na contramão. Sinceramente? Pega mal pra caramba, em todos os sentidos.


Word of Honor na Netflix Americana

Minha vontade é entrar lá agora e cancelar minha assinatura. Porém, não vai adiantar nada porque, como a maior parte dos problemas do Brasil, é a cabeça das pessoas e seus pensamentos retrógrados para o mundo atual que abrem o caminho para mais gerações de pessoas desinformadas e preconceituosas.


Por sorte, temos muitos canais oficiais das séries e das emissoras asiáticas no Youtube, com os episódios disponíveis de maneira legal (e aqui estou me referindo a não ferir direitos autorais ou de exibição/transmissão), muitos até legendados em português. Bendita internet e a democratização da informação. Ah! Eu fiz a assinatura para assistir sem publicidade, igual à Netflix, porém, com uma significativa diferença: o preço da assinatura (fica a dica, pessoal).


Mas eu convido você, que está lendo esse texto e também acha que falta bom-senso na seleção de conteúdo dos streamings presentes aqui no Brasil, principalmente quando queremos mensagens positivas que reforcem a união étnica, de gênero, deficiências e todo o tipo de minoria, a ir até a página oficial da Netflix Brasil pelo seu navegador de internet (celular não adianta) e sugerir tudo o que você acha que deveria ter aqui e não tem. Além de compartilhar sua indignação nas redes sociais.


Agora, inverti o jogo total, sempre que eu puder, recomendarei os canais oficiais, mesmo que a série ou conteúdo esteja na Netflix. Afinal, assim como eles têm a escolha de não querer disponibilizar conteúdos BL e GL como o resto do mundo, eu tenho a escolha de indicar qualquer canal, menos eles, para as pessoas assistirem o que elas desejam.

#prontofalei

#diversidadeja

#inclusao

Boa semana para todos e até a próxima.

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